O objetivo do presente trabalho é analisar e refletir sobre o fenómeno da Mutilação Genital Feminina na ótica da Liberdade Religiosa ocidental. Trata-se de uma investigação exploratória sociológica, mas com ângulos jurídicos e teológicos. Começaremos por analisar as consequências e as causas desta prática milenar considerada nefasta pela Organização Mundial de Saúde e violadora dos Direitos Humanos pela Organização da Nações Unidas, por colocar em risco a vida de milhares de raparigas e mulheres submetidas a ela um pouco por todo o mundo. Porém, daremos ênfase a problemática social que ocorre também em Portugal. Para isto, apresentaremos a prevalência da prática em Portugal, enquanto um país laico, acolhedor de várias etnias migratórias adeptas do fenómeno, passando pelos esforços que o estado português realiza no seu combate. Em causa estão para além do ultraje aos Direitos Humanos, também a complexidade do tema nas questões da Liberdade Religiosa. Faremos por fim, um breve percurso pelo quinto Objetivo de desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 que comporta a ideia de erradicação da prática.
O estudo em perspetiva propõe subsídios que evidenciam a relação das práticas do yoga moderno com o desenvolvimento integral da mulher. As representações do yoga na modernidade, evidentes nas capas das revistas e nas redes sociais, são maioritariamente encabeçadas por mulheres de raça branca, flexíveis, da classe média-alta e com instrução superior. Tópicos sobre o feminismo, o corpo na sua relação com o sagrado e as práticas adotadas nos círculos de mulheres, incluindo técnicas de yoga, são referidos neste estudo. Acreditamos que o yoga pode contribuir para o empoderamento feminino, nomeadamente através dos benefícios que as práticas proporcionam ao corpo e mente. As entrevistas realizadas a feministas e praticantes de yoga, do mundo Lusófono, bem como a opinião de várias académicas e feministas do mundo Anglófono, reforçam a ideia do potencial do yoga como importante ferramenta na sustentação do movimento feminista.
Este artigo procura fazer uma análise sobre a prática da tatuagem, buscando um contexto sob a perspectiva cristã. Para isso foi estabelecido um breve panorama histórico sobre a tatuagem e sua aplicabilidade. Seguimos analisando a tatuagem no contexto histórico dos cristãos coptas e observando a cultura local, para uma compreensão clara de seu uso inerente à confissão de fé. Após este tópico é lançada mão sobre a passagem bíblica do livro de Levítico 19:28, para uma breve análise do texto que por vezes surge como principal argumentação opositora à prática.
Como resultado de incompreensão da complexidade e abrangência dos sistemas de vida (nesciência eco-sistémica) vivemos hoje em um mundo global que acolhe e implementa os valores de um hedonismo materialista, expressos em modos de vida consumistas onde imperam a dualidade, a competição, o extrativismo e produtivismo, assim como o stress, burnout e depressão. Sofremos os resultados da implementação de um monismo materialista (dito) científico associado a um dualismo cartesiano que, em conjunto, decidem a vida de milhares de milhões de humanos assim como de toda a Ecosfera. Este materialismo - quando plasmado em conhecimento científico e saber prático tecnológico - tem cooperado também para um quadro mais alargado de problemas. Como poderemos implementar compromissos sérios pela não-violência e altruísmo abrangente, amor pela natureza e gosto pela inquirição aberta e franca ao invés de distração crónica? Na verdade, são os olhares profundos e inclusivos que permitem filosofias de vida verdadeiramente humanas (ecosofias). Instituir uma harmonia ecológica, ou seja, uma verdadeira epistéme das interações que tende a manter ciclos e equilíbrios, porque não-dual mas sim ecocentrada, eis o que mais importa. Este texto, partindo destas preocupações, de modo sintético, levanta questões, propõe reflexões e aponta para soluções éticas extraídas de um olhar sobre o Dharma do Buda (Budismo).
O objetivo desse artigo é trazer a público uma tradução inédita do alemão para o português dos panfletos da testemunha alemã do Massacre de Lisboa de 1506. A tradução permite investigar com maior clareza a configuração do discurso de ódio a partir de temas que emergem de sua narrativa. Com esse intento, descreve-se as diferentes edições existentes, uma vez que o desconhecimento de sua existência levou alguns cronistas a discordar sobre algumas interpretações dos acontecimentos. Em seguida, consideramos a construção discursiva do judeu como inimigo dos cristãos e o contexto da crise urbana lisboeta dos eventos violentos. A correlação de forças políticas entre, de um lado, o rei, a corte e alto clero e, de outro lado, o povo e o baixo clero, definiu as fronteiras identitárias que foram sedimentadas pelo discurso de ódio que se verifica nos panfletos.