O padre António Vieira escreveu uma obra de circunstância – as cartas, os sermões e os papéis –, que ele chegou a apelidar de «choupanas», e uma obra de grande investigação – a Chave dos Profetas –, que também apelida de «palácios altíssimos». Em todos os textos perpassa uma teologia retórico-humanista, que ele partilha com muitos dos pensadores do seu tempo, e com os seus confrades em particular. O inovador desta teologia é que ela faz também recurso a «novas» fontes (a reflexão histórica e a espiritualidade jesuíta) e a novas inspirações (próprias de Vieira) que a tornam única e merecedora de um aprofundamento que ainda não foi feito.
A Igreja Católica, através ora do próprio Vaticano, ora por meio de vários movimentos de cunho exclusivista, tende, nos últimos anos, a uma afirmação de sua fé de forma mais tradicional, no sentido de resgatar teologias, doutrinas e costumes que a pronunciem com maior vigor diante do campo religioso cada vez mais plural em que o mundo se encontra, e em que a própria Igreja Católica se encontra, internamente. Este movimento de acentuar doutrinas católicas – às vezes de forma intransigente ou pouco dialogal – com o mundo moderno representaria um rosto cada vez mais exclusivista do catolicismo quanto às questões doutrinais, mostrando a Igreja como a única – ou máxima – detentora da verdade religiosa. Este artigo pretende refletir sobre tal postura recorrendo às ciências sociais e, ao final, perguntando se é algo essencial à identidade católica algum tipo de exclusivismo.
Este ensaio equaciona a relação entre a declaração, a ritualidade e canonização dos textos sagrados. Damos especial destaque à natureza da língua e da escrita na criação de formas de ligação, quer dos indivíduos, quer dos colectivos à própria noção de sacralidade através do rito e de natureza atribuída ao próprio texto e à língua. Seguindo, especialmente, Ricour, trabalhamos a ideia de língua no rito e nos textos sagrados, tentando perceber como se forma a sacralidade de que, no limite, o próprio crente participa, na medida em que declara e faz parte do rito.
O presente artigo objetiva apresentar três situações entrelaçadas na formação da realidade econômica, política e religiosa do Ceará: catolicismo, realidade cearense e o episcopado do período. Marcada em sua contextura histórica pelo ultramontanismo, a arquidiocese de Fortaleza é herdeira do bispado do Ceará, fundado no período imperial, portanto, dentro do regime de padroado. Também é fortemente marcada por aspectos geográficos, como o fenômeno da seca. A seca não é um fenômeno simplesmente climático, mas também cultural, político e social, sendo, por vezes, incapaz de ser dissociado do éthos do cearense. Para compreender o processo histórico de desenvolvimento desta arquidiocese, faz-se necessário também apresentar os bispos que estiveram à frente da mesma, até o período do episcopado de Dom José de Medeiros de Delgado.
O trabalho que seguidamente se desenvolve assume-se como uma leitura (inferencial e disputável) da ocupação do estuário do Tejo. A proposta que apresento pretende abalizar: a) o contributo que emprestaram algumas das línguas semitas ocidentais mais antigas (fenício, púnico, hebraico e siríaco) aos étimos regionais; b) a influência do orientalismo sidérico na alteração dos quadros mental, cultural e religioso dos sítios de habitat. De modo a construir um modelo interpretativo verosímil, argumentado e coerente (apesar de conscientemente controverso), servir-me-ei dos diversos contributos que, há mais de um século, os diferentes cientistas sociais têm dado à bibliografia local. Também lançarei mão dos mais recentes progressos feitos nos campos da arqueologia sidérica e da filologia oriental.