Este artigo procura fazer uma análise sobre a prática da tatuagem, buscando um contexto sob a perspectiva cristã. Para isso foi estabelecido um breve panorama histórico sobre a tatuagem e sua aplicabilidade. Seguimos analisando a tatuagem no contexto histórico dos cristãos coptas e observando a cultura local, para uma compreensão clara de seu uso inerente à confissão de fé. Após este tópico é lançada mão sobre a passagem bíblica do livro de Levítico 19:28, para uma breve análise do texto que por vezes surge como principal argumentação opositora à prática.
Como resultado de incompreensão da complexidade e abrangência dos sistemas de vida (nesciência eco-sistémica) vivemos hoje em um mundo global que acolhe e implementa os valores de um hedonismo materialista, expressos em modos de vida consumistas onde imperam a dualidade, a competição, o extrativismo e produtivismo, assim como o stress, burnout e depressão. Sofremos os resultados da implementação de um monismo materialista (dito) científico associado a um dualismo cartesiano que, em conjunto, decidem a vida de milhares de milhões de humanos assim como de toda a Ecosfera. Este materialismo - quando plasmado em conhecimento científico e saber prático tecnológico - tem cooperado também para um quadro mais alargado de problemas. Como poderemos implementar compromissos sérios pela não-violência e altruísmo abrangente, amor pela natureza e gosto pela inquirição aberta e franca ao invés de distração crónica? Na verdade, são os olhares profundos e inclusivos que permitem filosofias de vida verdadeiramente humanas (ecosofias). Instituir uma harmonia ecológica, ou seja, uma verdadeira epistéme das interações que tende a manter ciclos e equilíbrios, porque não-dual mas sim ecocentrada, eis o que mais importa. Este texto, partindo destas preocupações, de modo sintético, levanta questões, propõe reflexões e aponta para soluções éticas extraídas de um olhar sobre o Dharma do Buda (Budismo).
O objetivo desse artigo é trazer a público uma tradução inédita do alemão para o português dos panfletos da testemunha alemã do Massacre de Lisboa de 1506. A tradução permite investigar com maior clareza a configuração do discurso de ódio a partir de temas que emergem de sua narrativa. Com esse intento, descreve-se as diferentes edições existentes, uma vez que o desconhecimento de sua existência levou alguns cronistas a discordar sobre algumas interpretações dos acontecimentos. Em seguida, consideramos a construção discursiva do judeu como inimigo dos cristãos e o contexto da crise urbana lisboeta dos eventos violentos. A correlação de forças políticas entre, de um lado, o rei, a corte e alto clero e, de outro lado, o povo e o baixo clero, definiu as fronteiras identitárias que foram sedimentadas pelo discurso de ódio que se verifica nos panfletos.
O padre António Vieira escreveu uma obra de circunstância – as cartas, os sermões e os papéis –, que ele chegou a apelidar de «choupanas», e uma obra de grande investigação – a Chave dos Profetas –, que também apelida de «palácios altíssimos». Em todos os textos perpassa uma teologia retórico-humanista, que ele partilha com muitos dos pensadores do seu tempo, e com os seus confrades em particular. O inovador desta teologia é que ela faz também recurso a «novas» fontes (a reflexão histórica e a espiritualidade jesuíta) e a novas inspirações (próprias de Vieira) que a tornam única e merecedora de um aprofundamento que ainda não foi feito.
A Igreja Católica, através ora do próprio Vaticano, ora por meio de vários movimentos de cunho exclusivista, tende, nos últimos anos, a uma afirmação de sua fé de forma mais tradicional, no sentido de resgatar teologias, doutrinas e costumes que a pronunciem com maior vigor diante do campo religioso cada vez mais plural em que o mundo se encontra, e em que a própria Igreja Católica se encontra, internamente. Este movimento de acentuar doutrinas católicas – às vezes de forma intransigente ou pouco dialogal – com o mundo moderno representaria um rosto cada vez mais exclusivista do catolicismo quanto às questões doutrinais, mostrando a Igreja como a única – ou máxima – detentora da verdade religiosa. Este artigo pretende refletir sobre tal postura recorrendo às ciências sociais e, ao final, perguntando se é algo essencial à identidade católica algum tipo de exclusivismo.